Joana Algarinho Nutrição

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Alimentos que nos podem ajudar na nossa memória

À medida que envelhecemos, é perfeitamente normal que a nossa capacidade de memorização diminua. Estratégias para exercitar a memória, mantendo corpo e mente ativos são importantes para evitar o declínio cognitivo. Por outro lado, não podemos descorar os nutrientes que os alimentos que comemos nos dão e que têm influência na memória. É disso que vamos falar neste artigo. Contudo, quero fazer a ressalva de que não é por apenas comermos estes alimentos que a nossa saúde cerebral vai melhorar. Temos de ter em consideração todos os princípios de uma alimentação completa, variada e equilibrada, aliar com um estilo de vida ativo e estimular o cérebro. Portanto, os vários fatores têm de estar de mãos dadas para funcionar.


1 – Alimentos fornecedores de ácidos gordos ómega-3

  • Peixes gordos:por serem excelentes fontes de ácidos gordos ómega-3, os peixes gordos como salmão, atum, cavala, carapau, ajudam a regular o funcionamento das células do cérebro e a melhorar a capacidade de reter informações;
  • Frutos oleaginosos e sementes: também podemos destacar a inclusão de nozes e amêndoas, bem como sementes de linhaça e chia que são igualmente fontes de ómega-3 e vitamina E, com efeito benéfico na diminuição do envelhecimento dos neurónios, protegendo-os de radicais livres, prevenindo a demência. Contudo, apesar de benefícios, tenham atenção em moderar as quantidades porque efetivamente são calóricos.

Benefícios dos ácidos gordos ómega-3 no cérebro

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NeuroproteçãoO ácido ácido docosa-hexaenoico (DHA) tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que vão ajudar a proteger as células cerebrais de danos causados pelo stress oxidativo, pela inflamação, e que estão associadas a doenças neurodegenerativas e ao declínio cognitivo.
Atividade dos neurotransmissoresAumento da atividade de neurotransmissores como serotonina e dopamina que nos ajudam na sensação de satisfação e de bem-estar.
Melhoria da plasticidade sinápticaForma e fortalece as conexões entre as nossas células cerebrais para que seja possível retermos informação, raciocínio, resposta e construção de ideias para memorizar o que foi falado, por exemplo, numa conversa.
Redução da inflamaçãoCom papel anti-inflamatório, ajudam a diminuir os processos inflamatórios devido ao stress do dia-a-dia e ao cansaço.

2 – Abacate e outros idênticos

O abacate é um excelente fornecedor de ácidos gordos ómega-3, mas também em vitamina E que é um importante antioxidante. No entanto, embora muito apreciado, o abacate não tem uma pegada ecológica muito positiva e, por isso, gosto de destacar outras alternativas.

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  • Antioxidantes: as nozes são uma alternativa muito mais em conta em termos ecológicas do que o abacate e tem os mesmos benéficos do mesmo;
  • Ácido oleico: é um ácido gordo monoinsaturado encontrado em grande abundância no azeite, podendo este ser uma alternativa ao abacate, tal como as nozes. Embora o ácido oleico não esteja diretamente relacionado com a memória como os ómega-3, pode ter benefícios indiretos para a saúde do cérebro.
Saúde cardiovascularO ácido oleico é um grande protetor cardiovascular. Não é à toa que o azeite é classificado como uma das gorduras mais saudáveis para a nossa circulação sanguínea, evitando a formação de coágulos, a oxidação do colesterol, ajuda a manter um fluxo sanguíneo adequado, entre outras funções positivas.
Reduz a inflamaçãoO facto de ser virgem extra vai ajudar reduzir a inflamação crónica.
Fornecedor de antioxidantesAlimentos como o azeite, o abacate e as nozes têm vitaminas, como a vitamina E que nos ajuda a evitar a degeneração em várias partes do corpo, nomeadamente nas células cerebrais, sendo uma vitamina que está dissolvida na gordura e que está associada a tudo que se relacione com gordura, como percursores de neurotransmissores, hormonas, etc. Fala-se também do papel da vitamina E na proteção da tiroide.
Regulação da glicoseDietas mais ricas em ácido oleico têm demonstrado a redução dos níveis de glicose no sangue.

3 – Sementes de chia

Apresentam um valor nutricional muito interessante. Também fontes de ómega-3, fibra e antioxidantes que são importantes para o cérebro. Estas sementes podem ser usadas em pudins, granolas, iogurtes, papas de aveia, etc.

  • Fibras: são alimentos que possuem uma quantidade de fibra excelente, sendo benéfica para a função cardiovascular, cerebral e intestinal.
Impacto na glicose sanguíneaO principal combustível do nosso cérebro é a glicose e, se conseguirmos estabilizar os níveis de açúcar, haverá menos picos. Ao estabilizar o açúcar no sangue, estabilizamos também ao nível do cérebro. Isto permite que certas células que necessitam de níveis mais estáveis de açúcar funcionem adequadamente.
Ajuda no funcionamento da flora intestinalPermite proteger a nossa barreira intestinal, reduzir a hiperpermeabilidade intestinal e, por consequência, diminuir a exposição a substâncias tóxicas ou, pelo menos, a passagem destas para a corrente sanguínea que faz diminuir os processos inflamatórios. Ajuda na redução do da dificuldade em concentração e foco, muito associado à questão da memória.

4 – Mirtilos

Alimentos de fácil digestão, baixo teor de hidratos de carbono e com um conteúdo em antioxidantes muito interessante e elevado.

  • Antioxidantes:ajudam na prevenção da degeneração cerebral. A presença das antocianinas é que confere a cor azulada aos mirtilos. Apresenta ainda resveratrol, muito associado ao vinho, embora não tenha os malefícios que o vinho tem;
  • Anti-inflamatório: protege as células cerebrais do stress oxidativo e do envelhecimento precoce do cérebro;
  • Vitaminas: destaca-se a vitamina C, com papel importante no processo de envelhecimento. A vitamina E na proteção das membranas do cérebro e previne o envelhecimento das fendas sinápticas, permitindo uma boa capacidade de resposta às diversas mensagens recebidas pelo exterior.

5 – Espinafres e outros vegetais de cor verde-escura

Os espinafres recomenda-se que sejam consumidos em cru para que se possa ter os seus constituintes em maiores concentrações, como ácido fólico e outros antioxidantes, como vitamina C e vitamina E. Pelo seu poder antioxidante, os espinafres ajudam a retardar os efeitos do envelhecimento das células cerebrais e pensa-se que cerca de meia chávena deste alimento cozinhado, fornece 25% das necessidades diárias de vitamina E.

  • Ácido fólico (B9): essencial para a produção de DNA, ajudando na formação de novas células, nomeadamente cerebrais. Por outro lado, o défice em folato pode levar a problemas de memória;
  • Vitaminas: vitaminas C e E que são importantes antioxidantes, como já foi possível mencionar. Destaca-se ainda a vitamina K, essencial para a formação de gorduras essenciais ao cérebro e para melhorar o fluxo sanguíneo;
  • Flavonóides: conferem a cor forte e que ajudam na capacidade de prevenção do envelhecimento cerebral;
  • Nitratos: melhoria do fluxo sanguíneo no cérebro e importante para a transmissão sináptica;
  • Antioxidantes: ajudam, mais uma vez, na redução do stress oxidativo e da inflamação.

6 – Ovos

Aqui podemos mencionar novamente o ácido fólico. A gema de ovo é rica em colina que ajuda a evitar o declínio mental associado ao envelhecimento, prevenindo problemas como a demência ou a doença de Alzheimer. Para além disso, a colina é precursora da Acetilcolina, um neurotransmissor envolvido na memória e na cognição) e pode também ser encontrada noutros alimentos como carne de fígado, brócolos, couve-flor ou bacalhau.

  • Fornecedores de proteína de alto valor biológico: fornece aminoácidos importantes para a formação de neurotransmissores essenciais para a função cerebral e que intervêm do humor, na memória, etc;
  • Antioxidantes: dando destaque à luteína e à zeaxantina que ajudam a proteger as células cerebrais de danos oxidativos;
  • Vitaminas do Complexo B:com capacidade de absorção/retenção muito superior quando estão juntas. A vitamina B6 (piridoxina) em particular que é essencial para a nossa capacidade de memória, concentração, foco, humor;
  • Ácidos gordos ómega-3: essencial pelo que já foi referido anteriormente para as sementes de chia e nozes.

7 – Chocolate negro

Para além de ter gorduras vegetais, o cacau também contém proteína e uma quantidade muito reduzida de fibras vegetais. Cerca de 6 pedacinhos de chocolate têm 12 gramas de gordura, mas trata-se de uma gordura insaturada (ácido oleico). Temos também na sua constituição oligoelementos como potássio, cãcio, magnésio e ferro. O chocolate negro, que apresenta um mínimo de 70% de cacau, contém flavonóides que atuam no organismo como antioxidantes que ajudam a melhorar as funções cognitivas, como a memória e a proteger as células de danos causados pelos radicais livres, ajudando a evitar doenças do foro mental. Por outro lado, um consumo moderado de cacau ou de chocolate preto de alta qualidade pode ajudar à diminuição da hormona do stress, o cortisol.

Para os fãs de chocolate de leite, há que ter coragem em educar gradualmente o seu paladar para um chocolate mais amargo, mas ao mesmo tempo um chocolate com melhor qualidade e com as propriedades positivas anteriormente referidas. Quanto mais açúcar e processado for o chocolate, menos interesse tem.

  • Antioxidantes;
  • Melhoria do fluxo sanguíneo;
  • Aumenta a produção de neurotransmissores;
  • Redução do stress. O triptofano presente no cacau, produz mais serotonina (hormona da felicidade) que ajuda a uma capacidade de resposta superior e menos episódios de irritabilidade e alteração de humor;
  • Ajuda na melhoria do desempenho cognitivo.

Para vos ajudar, elaborei um documento onde têm incluídos alguns alimentos que vos ajudam.

(Alerta spoiler: tem também um ícone que vos ajuda a não esquecerem de exercitar o corpo – que ajuda também na mente). Espero que tenham gostado do artigo 🙂

Alimentos que nos podem ajudar na nossa memória

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